A Bíblia – Salmos 121 a 150

 

 

Capítulo 121

1 Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?

2 O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra.

3 Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não dormitará.

4 Eis que não dormitará nem dormirá aquele que guarda a Israel.

5 O Senhor é quem te guarda; o Senhor é a tua sombra à tua mão direita.

6 De dia o sol não te ferirá, nem a lua de noite.

7 O Senhor te guardará de todo o mal; ele guardará a tua vida.

8 O Senhor guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.

Capítulo 122

1 Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor.

2 Os nossos pés estão parados dentro das tuas portas, ó Jerusalém!

3 Jerusalém, que és edificada como uma cidade compacta,

4 aonde sobem as tribos, as tribos do Senhor, como testemunho para Israel, a fim de darem graças ao nome do Senhor.

5 Pois ali estão postos os tronos de julgamento, os tronos da casa de Davi.

6 Orai pela paz de Jerusalém; prosperem aqueles que te amam.

7 Haja paz dentro de teus muros, e prosperidade dentro dos teus palácios.

8 Por causa dos meus irmãos e amigos, direi: Haja paz dentro de ti.

9 Por causa da casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o teu bem.

Capítulo 123

1 A ti levanto os meus olhos, ó tu que estás entronizado nos céus.

2 Eis que assim como os olhos dos servos atentam para a mão do seu senhor, e os olhos da serva para a mão de sua senhora, assim os nossos olhos atentam para o Senhor nosso Deus, até que ele se compadeça de nós.

3 Compadece-te de nós, ó Senhor, compadece-te de nós, pois estamos sobremodo fartos de desprezo.

4 A nossa alma está sobremodo farta da zomabaria dos arrogantes, e do desprezo dos soberbos.

Capítulo 124

1 Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora diga Israel:

2 Se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós,

3 eles nos teriam tragado vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós;

4 as águas nos teriam submergido, e a torrente teria passado sobre nós;

5 sim, as águas impetuosas teriam passado sobre nós.

6 Bendito seja o Senhor, que não nos entregou, como presa, aos dentes deles.

7 Escapamos, como um pássaro, do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapamos.

8 O nosso socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra.

Capítulo 125

1 Aqueles que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não pode ser abalado, mas permanece para sempre.

2 Como estão os montes ao redor de Jerusalém, assim o Senhor está ao redor do seu povo, desde agora e para sempre.

3 Porque o cetro da impiedade não repousará sobre a sorte dos justos, para que os justos não estendam as suas mãos para cometer a iniqüidade.

4 Faze o bem, ó Senhor, aos bons e aos que são retos de coração.

5 Mas aos que se desviam para os seus caminhos tortuosos, levá-los-á o Senhor juntamente com os que praticam a maldade. Que haja paz sobre Israel.

Capítulo 126

1 Quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, éramos como os que estão sonhando.

2 Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cânticos. Então se dizia entre as nações: Grandes coisas fez o Senhor por eles.

3 Sim, grandes coisas fez o Senhor por nós, e por isso estamos alegres.

4 Faze regressar os nossos cativos, Senhor, como as correntes no sul.

5 Os que semeiam em lágrimas, com cânticos de júbilo segarão.

6 Aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos.

Capítulo 127

1 Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.

2 Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois ele supre aos seus amados enquanto dormem.

3 Eis que os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.

4 Como flechas na mão dum homem valente, assim os filhos da mocidade.

5 Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, quando falarem com os seus inimigos à porta.

Capítulo 128

1 Bem-aventurado todo aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos.

2 Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem.

3 A tua mulher será como a videira frutífera, no interior da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira, ao redor da tua mesa.

4 Eis que assim será abençoado o homem que teme ao Senhor.

5 De Sião o Senhor te abençoará; verás a prosperidade de Jerusalém por todos os dias da tua vida,

6 e verás os filhos de teus filhos. A paz seja sobre Israel.

Capítulo 129

1 Gravemente me angustiaram desde a minha mocidade, diga agora Israel;

2 gravemente me angustiaram desde a minha mocidade, todavia não prevaleceram contra mim.

3 Os lavradores araram sobre as minhas costas; compridos fizeram os seus sulcos.

4 O Senhor é justo; ele corta as cordas dos ímpios.

5 Sejam envergonhados e repelidos para trás todos os que odeiam a Sião.

6 Sejam como a erva dos telhados, que seca antes de florescer;

7 com a qual o segador não enche a mão, nem o regaço o que ata os feixes;

8 nem dizem os que passam: A bênção do Senhor seja sobre vós; nós vos abençoamos em nome do Senhor.

Capítulo 130

1 Das profundezas clamo a ti, ó Senhor.

2 Senhor, escuta a minha voz; estejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas.

3 Se tu, Senhor, observares as iniqüidades, Senhor, quem subsistirá?

4 Mas contigo está o perdão, para que sejas temido.

5 Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra.

6 A minha alma anseia pelo Senhor, mais do que os guardas pelo romper da manhã, sim, mais do que os guardas pela manhã.

7 Espera, ó Israel, no Senhor! pois com o Senhor há benignidade, e com ele há copiosa redenção;

8 e ele remirá a Israel de todas as suas iniqüidades.

Capítulo 131

1 Senhor, o meu coração não é soberbo, nem os meus olhos são altivos; não me ocupo de assuntos grandes e maravilhosos demais para mim.

2 Pelo contrário, tenho feito acalmar e sossegar a minha alma; qual criança desmamada sobre o seio de sua mãe, qual criança desmamada está a minha alma para comigo.

3 Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre.

Capítulo 132

1 Lembra-te, Senhor, a bem de Davi, de todas as suas aflições;

2 como jurou ao Senhor, e fez voto ao Poderoso de Jacó, dizendo:

3 Não entrarei na casa em que habito, nem subirei ao leito em que durmo;

4 não darei sono aos meus olhos, nem adormecimento às minhas pálpebras,

5 até que eu ache um lugar para o Senhor uma morada para o Poderoso de Jacó.

6 Eis que ouvimos falar dela em Efrata, e a achamos no campo de Jaar.

7 Entremos nos seus tabernáculos; prostremo-nos ante o escabelo de seus pés.

8 Levanta-te, Senhor, entra no lugar do teu repouso, tu e a arca da tua força.

9 Vistam-se os teus sacerdotes de justiça, e exultem de júbilo os teus santos.

10 Por amor de Davi, teu servo, não rejeites a face do teu ungido.

11 O Senhor jurou a Davi com verdade, e não se desviará dela: Do fruto das tuas entranhas porei sobre o teu trono.

12 Se os teus filhos guardarem o meu pacto, e os meus testemunhos, que eu lhes hei de ensinar, também os seus filhos se assentarão perpetuamente no teu trono.

13 Porque o Senhor escolheu a Sião; desejou-a para sua habitação, dizendo:

14 Este é o lugar do meu repouso para sempre; aqui habitarei, pois o tenho desejado.

15 Abençoarei abundantemente o seu mantimento; fartarei de pão os seus necessitados.

16 Vestirei de salvação os seus sacerdotes; e de júbilo os seus santos exultarão

17 Ali farei brotar a força de Davi; preparei uma lâmpada para o meu ungido.

18 Vestirei de confusão os seus inimigos; mas sobre ele resplandecerá a sua coroa.

Capítulo 133

1 Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!

2 É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes;

3 como o orvalho de Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordenou a bênção, a vida para sempre.

Capítulo 134

1 Eis aqui, bendizei ao Senhor, todos vós, servos do Senhor, que de noite assistis na casa do Senhor.

2 Erguei as mãos para o santuário, e bendizei ao Senhor.

3 Desde Sião te abençoe o Senhor, que fez os céus e a terra.

Capítulo 135

1 Louvai ao Senhor. Louvai o nome do Senhor; louvai-o, servos do Senhor,

2 vós que assistis na casa do Senhor, nos átrios da casa do nosso Deus.

3 Louvai ao Senhor, porque o Senhor é bom; cantai louvores ao seu nome, porque ele é bondoso.

4 Porque o Senhor escolheu para si a Jacó, e a Israel para seu tesouro peculiar.

5 Porque eu conheço que o Senhor é grande e que o nosso Senhor está acima de todos os deuses.

6 Tudo o que o Senhor deseja ele o faz, no céu e na terra, nos mares e em todos os abismos.

7 Faz subir os vapores das extremidades da terra; faz os relâmpagos para a chuva; tira os ventos dos seus tesouros.

8 Foi ele que feriu os primogênitos do Egito, desde os homens até os animais;

9 que operou sinais e prodígios no meio de ti, ó Egito, contra Faraó e contra os seus servos;

10 que feriu muitas nações, e matou reis poderosos:

11 a Siom, rei dos amorreus, e a Ogue, rei de Basã, e a todos os reinos de Canaã;

12 e deu a terra deles em herança, em herança a Israel, seu povo.

13 O teu nome, ó Senhor, subsiste para sempre; e a tua memória, ó Senhor, por todas as gerações.

14 Pois o Senhor julgará o seu povo, e se compadecerá dos seus servos.

15 Os ídolos das nações são prata e ouro, obra das mãos dos homens;

16 têm boca, mas não falam; têm olhos, mas não vêem;

17 têm ouvidos, mas não ouvem; nem há sopro algum na sua boca.

18 Semelhantemente a eles se tornarão os que os fazem, e todos os que neles confiam.

19 Ó casa de Israel, bendizei ao Senhor; ó casa de Arão, bendizei ao Senhor;

20 ó casa de Levi, bendizei ao Senhor; vós, os que temeis ao Senhor, bendizei ao Senhor.

21 Desde Sião seja bendito o Senhor, que habita em Jerusalém. Louvai ao Senhor.

Capítulo 136

1 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre.

2 Dai graças ao Deus dos deuses, porque a sua benignidade dura para sempre

3 Dai graças ao Senhor dos senhores, porque a sua benignidade dura para sempre;

4 ao único que faz grandes maravilhas, porque a sua benignidade dura para sempre;

5 àquele que com entendimento fez os céus, porque a sua benignidade dura para sempre;

6 àquele que estendeu a terra sobre as águas, porque a sua benignidade dura para sempre;

7 àquele que fez os grandes luminares, porque a sua benignidade dura para sempre;

8 o sol para governar de dia, porque a sua benignidade dura para sempre;

9 a lua e as estrelas para presidirem a noite, porque a sua benignidade dura para sempre;

10 àquele que feriu o Egito nos seus primogênitos, porque a sua benignidade dura para sempre;

11 e que tirou a Israel do meio deles, porque a sua benignidade dura para sempre;

12 com mão forte, e com braço estendido, porque a sua benignidade dura para sempre;

13 àquele que dividiu o Mar Vermelho em duas partes, porque a sua benignidade dura para sempre;

14 e fez passar Israel pelo meio dele, porque a sua benignidade dura para sempre;

15 mas derrubou a Faraó com o seu exército no Mar Vermelho, porque a sua benignidade dura para sempre;

16 àquele que guiou o seu povo pelo deserto, porque a sua benignidade dura para sempre;

17 àquele que feriu os grandes reis, porque a sua benignidade dura para sempre;

18 e deu a morte a reis famosos, porque a sua benignidade dura para sempre.

19 a Siom, rei dos amorreus, porque a sua benignidade dura para sempre;

20 e a Ogue, rei de Basã, porque a sua benignidade dura para sempre;

21 e deu a terra deles em herança, porque a sua benignidade dura para sempre;

22 sim, em herança a Israel, seu servo, porque a sua benignidade dura para sempre;

23 que se lembrou de nós em nossa humilhação, porque a sua benignidade dura para sempre;

24 e nos libertou dos nossos inimigos, porque a sua benignidade dura para sempre;

25 que dá alimento a toda a carne, porque a sua benignidade dura para sempre.

26 Dai graças ao Deus dos céus, porque a sua benignidade dura para sempre.

Capítulo 137

1 Junto aos rios de Babilônia, ali nos assentamos e nos pusemos a chorar, recordando-nos de Sião.

2 Nos salgueiros que há no meio dela penduramos as nossas harpas,

3 pois ali aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções; e os que nos atormentavam, que os alegrássemos, dizendo: Cantai-nos um dos cânticos de Sião.

4 Mas como entoaremos o cântico do Senhor em terra estrangeira?

5 Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, esqueça-se a minha destra da sua destreza.

6 Apegue-se-me a língua ao céu da boca, se não me lembrar de ti, se eu não preferir Jerusalém à minha maior alegria.

7 Lembra-te, Senhor, contra os edomitas, do dia de Jerusalém, porque eles diziam: Arrasai-a, arrasai-a até os seus alicerces.

8 Ah! filha de Babilônia, devastadora; feliz aquele que te retribuir consoante nos fizeste a nós;

9 feliz aquele que pegar em teus pequeninos e der com eles nas pedra.

Capítulo 138

1 Graças te dou de todo o meu coração; diante dos deuses a ti canto louvores.

2 Inclino-me para o teu santo templo, e louvo o teu nome pela tua benignidade, e pela tua fidelidade; pois engrandeceste acima de tudo o teu nome e a tua palavra.

3 No dia em que eu clamei, atendeste-me; alentaste-me, fortalecendo a minha alma.

4 Todos os reis da terra de louvarão, ó Senhor, quando ouvirem as palavras da tua boca;

5 e cantarão os caminhos do Senhor, pois grande é a glória do Senhor.

6 Ainda que o Senhor é excelso, contudo atenta para o humilde; mas ao soberbo, conhece-o de longe.

7 Embora eu ande no meio da angústia, tu me revivificas; contra a ira dos meus inimigos estendes a tua mão, e a tua destra me salva.

8 O Senhor aperfeiçoará o que me diz respeito. A tua benignidade, ó Senhor, dura para sempre; não abandones as obras das tuas mãos.

Capítulo 139

1 Senhor, tu me sondas, e me conheces.

2 Tu conheces o meu sentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.

3 Esquadrinhas o meu andar, e o meu deitar, e conheces todos os meus caminhos.

4 Sem que haja uma palavra na minha língua, eis que, ó Senhor, tudo conheces.

5 Tu me cercaste em volta, e puseste sobre mim a tua mão.

6 Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; elevado é, não o posso atingir.

7 Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua presença?

8 Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também.

9 Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar,

10 ainda ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá.

11 Se eu disser: Ocultem-me as trevas; torne-se em noite a luz que me circunda;

12 nem ainda as trevas são escuras para ti, mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa.

13 Pois tu formaste os meus rins; entreteceste-me no ventre de minha mãe.

14 Eu te louvarei, porque de um modo tão admirável e maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

15 Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado, e esmeradamente tecido nas profundezas da terra.

16 Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles.

17 E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grande é a soma deles!

18 Se eu os contasse, seriam mais numerosos do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.

19 Oxalá que matasses o perverso, ó Deus, e que os homens sanguinários se apartassem de mim,

20 homens que se rebelam contra ti, e contra ti se levantam para o mal.

21 Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam? e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti?

22 Odeio-os com ódio completo; tenho-os por inimigos.

23 Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos;

24 se há em mim algum caminho perverso, e guia-me pelo caminho eterno.

Capítulo 140

1 Livra-me, ó Senhor, dos homens maus; guarda-me dos homens violentos,

2 os quais maquinam maldades no coração; estão sempre projetando guerras.

3 Aguçaram as línguas como a serpente; peçonha de áspides está debaixo dos seus lábios.

4 Guarda-me, ó Senhor, das mãos dos ímpios; preserva-me dos homens violentos, os quais planejaram transtornar os meus passos.

5 Os soberbos armaram-me laços e cordas; estenderam uma rede à beira do caminho; puseram-me armadilhas.

6 Eu disse, ao Senhor: Tu és o meu Deus; dá ouvidos, ó Senhor, à voz das minhas súplicas.

7 Ó Senhor, meu Senhor, meu forte libertador, tu cobriste a minha cabeça no dia da batalha.

8 Não concedas, ó Senhor, aos ímpios os seus desejos; não deixes ir por diante o seu mau propósito.

9 Não levantem a cabeça os que me cercam; cubra-os a maldade dos seus lábios.

10 Caiam sobre eles brasas vivas; sejam lançados em covas profundas, para que não se tornem a levantar!

11 Não se estabeleça na terra o caluniador; o mal persiga o homem violento com golpe sobre golpe.

12 Sei que o Senhor manterá a causa do aflito, e o direito do necessitado.

13 Decerto os justos louvarão o teu nome; os retos habitarão na tua presença.

Capítulo 141

1 Ó Senhor, a ti clamo; dá-te pressa em me acudir! Dá ouvidos à minha voz, quando a ti clamo!

2 Suba a minha oração, como incenso, diante de ti, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde!

3 Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; vigia a porta dos meus lábios!

4 Não inclines o meu coração para o mal, nem para se ocupar de coisas más, com aqueles que praticam a iniqüidade; e não coma eu das suas gulodices!

5 Fira-me o justo, será isso uma benignidade; e repreenda-me, isso será como óleo sobre a minha cabeça; não o recuse a minha cabeça; mas continuarei a orar contra os feitos dos ímpios.

6 Quando os seus juízes forem arremessados duma penha abaixo, saberão que as palavras do Senhor são verdadeiras.

7 Como quando alguém lavra e sulca a terra, são os nossos ossos espalhados à boca do Seol.

8 Mas os meus olhos te contemplam, ó Senhor, meu Senhor; em ti tenho buscado refúgio; não me deixes sem defesa!

9 Guarda-me do laço que me armaram, e das armadilhas dos que praticam a iniqüidade.

10 Caiam os ímpios nas suas próprias redes, até que eu tenha escapado inteiramente.

Capítulo 142

1 Com a minha voz clamo ao Senhor; com a minha voz ao Senhor suplico.

2 Derramo perante ele a minha queixa; diante dele exponho a minha tribulação.

3 Quando dentro de mim esmorece o meu espírito, então tu conheces a minha vereda; no caminho em que eu ando ocultaram-me um laço.

4 Olha para a minha mão direita, e vê, pois não há quem me conheça; refúgio me faltou; ninguém se interessa por mim.

5 A ti, ó Senhor, clamei; eu disse: Tu és o meu refúgio, o meu quinhão na terra dos viventes.

6 Atende ao meu clamor, porque estou muito abatido; livra-me dos meus perseguidores, porque são mais fortes do que eu.

7 Tira-me da prisão, para que eu louve o teu nome; os justos me rodearão, pois me farás muito bem.

Capítulo 143

1 Ó Senhor, ouve a minha oração, dá ouvidos às minhas súplicas! Atende-me na tua fidelidade, e na tua retidão;

2 e não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente.

3 Pois o inimigo me perseguiu; abateu-me até o chão; fez-me habitar em lugares escuros, como aqueles que morreram há muito.

4 Pelo que dentro de mim esmorece o meu espírito, e em mim está desolado o meu coração.

5 Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos.

6 A ti estendo as minhas mãos; a minha alma, qual terra sedenta, tem sede de ti.

7 Atende-me depressa, ó Senhor; o meu espírito desfalece; não escondas de mim o teu rosto, para que não me torne semelhante aos que descem à cova.

8 Faze-me ouvir da tua benignidade pela manhã, pois em ti confio; faze-me saber o caminho que devo seguir, porque a ti elevo a minha alma.

9 Livra-me, ó Senhor, dos meus inimigos; porque em ti é que eu me refugio.

10 Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano.

11 Vivifica-me, ó Senhor, por amor do teu nome; por amor da tua justiça, tira-me da tribulação.

12 E por tua benignidade extermina os meus inimigos, e destrói todos os meus adversários, pois eu sou servo.

Capítulo 144

1 Bendito seja o Senhor, minha rocha, que adestra as minhas mãos para a peleja e os meus dedos para a guerra;

2 meu refúgio e minha fortaleza, meu alto retiro e meu e meu libertador, escudo meu, em quem me refugio; ele é quem me sujeita o meu povo.

3 Ó Senhor, que é o homem, para que tomes conhecimento dele, e o filho do homem, para que o consideres?

4 O homem é semelhante a um sopro; os seus dias são como a sombra que passa.

5 Abaixa, ó Senhor, o teu céu, e desce! Toca os montes, para que fumeguem!

6 Arremessa os teus raios, e dissipa-os; envia as tuas flechas, e desbarata-os!

7 Estende as tuas mãos desde o alto; livra-me, e arrebata-me das poderosas águas e da mão do estrangeiro,

8 cuja boca fala vaidade, e cuja mão direita é a destra da falsidade.

9 A ti, ó Deus, cantarei um cântico novo; com a harpa de dez cordas te cantarei louvores,

10 sim, a ti que dás a vitória aos reis, e que livras da espada maligna a teu servo Davi.

11 Livra-me, e tira-me da mão do estrangeiro, cuja boca fala mentiras, e cuja mão direita é a destra da falsidade.

12 Sejam os nossos filhos, na sua mocidade, como plantas bem desenvolvidas, e as nossas filhas como pedras angulares lavradas, como as de um palácio.

13 Estejam repletos os nossos celeiros, fornecendo toda sorte de provisões; as nossas ovelhas produzam a milhares e a dezenas de milhares em nosos campos;

14 os nossos bois levem ricas cargas; e não haja assaltos, nem sortidas, nem clamores em nossas ruas!

15 Bem-aventurado o povo a quem assim sucede! Bem-aventurado o povo cujo Deus é o Senhor.

Capítulo 145

1 Eu te exaltarei, ó Deus, rei meu; e bendirei o teu nome pelos séculos dos séculos.

2 Cada dia te bendirei, e louvarei o teu nome pelos séculos dos séculos.

3 Grande é o Senhor, e mui digno de ser louvado; e a sua grandeza é insondável.

4 Uma geração louvará as tuas obras à outra geração, e anunciará os teus atos poderosos.

5 Na magnificência gloriosa da tua majestade e nas tuas obras maravilhosas meditarei;

6 falar-se-á do poder dos teus feitos tremendos, e eu contarei a tua grandeza.

7 Publicarão a memória da tua grande bondade, e com júbilo celebrarão a tua justiça.

8 Bondoso e compassivo é o Senhor, tardio em irar-se, e de grande benignidade.

9 O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras.

10 Todas as tuas obras te louvarão, ó Senhor, e os teus santos te bendirão.

11 Falarão da glória do teu reino, e relatarão o teu poder,

12 para que façam saber aos filhos dos homens os teus feitos poderosos e a glória do esplendor do teu reino.

13 O teu reino é um reino eterno; o teu domínio dura por todas as gerações.

14 O Senhor sustém a todos os que estão a cair, e levanta a todos os que estão abatidos.

15 Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes dás o seu mantimento a seu tempo;

16 abres a mão, e satisfazes o desejo de todos os viventes.

17 Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e benigno em todas as suas obras.

18 Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.

19 Ele cumpre o desejo dos que o temem; ouve o seu clamor, e os salva.

20 O Senhor preserva todos os que o amam, mas a todos os ímpios ele os destrói.

21 Publique a minha boca o louvor do Senhor; e bendiga toda a carne o seu santo nome para todo o sempre.

Capítulo 146

1 Louvai ao Senhor.Ó minha alma, louva ao Senhor.

2 Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus enquanto viver.

3 Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há auxílio.

4 Sai-lhe o espírito, e ele volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos.

5 Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está no Senhor seu Deus

6 que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há, e que guarda a verdade para sempre;

7 que faz justiça aos oprimidos, que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados;

8 o Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos; o Senhor ama os justos.

9 O Senhor preserva os peregrinos; ampara o órfão e a viúva; mas transtorna o caminho dos ímpios.

10 O Senhor reinará eternamente: o teu Deus, ó Sião, reinará por todas as gerações. Louvai ao Senhor!

Capítulo 147

1 Louvai ao Senhor; porque é bom cantar louvores ao nosso Deus; pois isso é agradável, e decoroso é o louvor.

2 O Senhor edifica Jerusalém, congrega os dispersos de Israel;

3 sara os quebrantados de coração, e cura-lhes as feridas;

4 conta o número das estrelas, chamando-as a todas pelos seus nomes.

5 Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; não há limite ao seu entendimento.

6 O Senhor eleva os humildes, e humilha os perversos até a terra.

7 Cantai ao Senhor em ação de graças; com a harpa cantai louvores ao nosso Deus.

8 Ele é que cobre o céu de nuvens, que prepara a chuva para a terra, e que faz produzir erva sobre os montes;

9 que dá aos animais o seu alimento, e aos filhos dos corvos quando clamam.

10 Não se deleita na força do cavalo, nem se compraz nas pernas do homem.

11 O Senhor se compraz nos que o temem, nos que esperam na sua benignidade.

12 Louva, ó Jerusalém, ao Senhor; louva, ó Sião, ao teu Deus.

13 Porque ele fortalece as trancas das tuas portas; abençoa aos teus filhos dentro de ti.

14 Ele é quem estabelece a paz nas tuas fronteiras; quem do mais fino trigo te farta;

15 quem envia o seu mandamento pela terra; a sua palavra corre mui velozmente.

16 Ele dá a neve como lã, esparge a geada como cinza,

17 e lança o seu gelo em pedaços; quem pode resistir ao seu frio?

18 Manda a sua palavra, e os derrete; faz soprar o vento, e correm as águas;

19 ele revela a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e as suas ordenanças a Israel.

20 Não fez assim a nenhuma das outras nações; e, quanto às suas ordenanças, elas não as conhecem. Louvai ao Senhor!

Capítulo 148

1 Louvai ao Senhor! Louvai ao Senhor desde o céu, louvai-o nas alturas!

2 Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas hostes!

3 Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes!

4 Louvai-o, céus dos céus, e as águas que estão sobre os céus!

5 Louvem eles o nome do Senhor; pois ele deu ordem, e logo foram criados.

6 Também ele os estabeleceu para todo sempre; e lhes fixou um limite que nenhum deles ultrapassará.

7 Louvai ao Senhor desde a terra, vós, monstros marinhos e todos os abismos;

8 fogo e saraiva, neve e vapor; vento tempestuoso que excuta a sua palavra;

9 montes e todos os outeiros; árvores frutíferas e todos os cedros;

10 feras e todo o gado; répteis e aves voadoras;

11 reis da terra e todos os povos; príncipes e todos os juízes da terra;

12 mancebos e donzelas; velhos e crianças!

13 Louvem eles o nome do Senhor, pois só o seu nome é excelso; a sua glória é acima da terra e do céu.

14 Ele também exalta o poder do seu povo, o louvor de todos os seus santos, dos filhos de Israel, um povo que lhe é chegado. Louvai ao Senhor!

Capítulo 149

1 Louvai ao Senhor! Cantai ao Senhor um cântico novo, e o seu louvor na assembléia dos santos!

2 Alegre-se Israel naquele que o fez; regozijem-se os filhos de Sião no seu Rei.

3 Louvem-lhe o nome com danças, cantem-lhe louvores com adufe e harpa.

4 Porque o Senhor se agrada do seu povo; ele adorna os mansos com a salvação.

5 Exultem de glória os santos, cantem de alegria nos seus leitos.

6 Estejam na sua garganta os altos louvores de Deus, e na sua mão espada de dois gumes,

7 para exercerem vingança sobre as nações, e castigos sobre os povos;

8 para prenderem os seus reis com cadeias, e os seus nobres com grilhões de ferro;

9 para executarem neles o juízo escrito; esta honra será para todos os santos. Louvai ao Senhor!

Capítulo 150

1 Louvai ao Senhor! Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder!

2 Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza!

3 Louvai-o ao som de trombeta; louvai-o com saltério e com harpa!

4 Louvai-o com adufe e com danças; louvai-o com instrumentos de cordas e com flauta!

5 Louvai-o com címbalos sonoros; louvai-o com címbalos altissonantes!

6 Tudo quanto tem fôlego louve ao Senhor. Louvai ao Senhor!