www.claudyalessa.com.br

A MINHA FELICIDADE

NÃO É A SUA!

 

 

No mais recente livro de Carlos Moraes, o ótimo "Agora Deus vai te pegar lá fora",

 há um trecho em que uma mulher ouve a seguinte pergunta de um major:

 

-"Por que você não é feliz como todo mundo?" 

 

A que ela responde mais ou menos assim: 

"Como o senhor ousa dizer que não sou feliz? 

O que o senhor sabe do que eu digo para o meu marido depois do amor? 

E do que eu sinto quando ouço Vivaldi? 

 E do que eu rio com meu filho? E por que mundos viajo quando leio Murilo Mendes? 

A sua felicidade, que eu respeito, não é a minha, major."

 

E assim é. Temos a pretensão de decretar quem é feliz ou infeliz de acordo

com nossa ótica particular, como se felicidade fosse algo que pudesse ser visualizado.

 Somos apresentados a alguém com olheiras profundas e

imediatamente passamos a lamentar suas prováveis noites insones causadas

por problemas tortuosos.

 

 Ou alguém faz uma queixa infantil da esposa e rapidamente decretamos 

que é um fracassado no amor, que seu casamento deve ser um inferno, pobre sujeito.

 É nestas horas que junto a ponta dos cinco

dedos da mão e sacudo-a no ar, feito uma italiana indignada:

 mas que sabemos nós da vida dos outros?

Nossos momentos felizes se dão, quase todos, na intimidade, quando ninguém está nos vendo.

O barulho da chave da porta, de madrugada, trazendo um adolescente de volta pra casa.

 O cálice de vinho oferecido por uma amiga com quem acabamos de fazer as pazes. 

Sentar-se no cinema, sozinho, para assistir ao filme tão esperado. 

 Depois de anos com o coração em marcha lenta, 

rever um ex-amor e descobrir que ainda é capaz de sentir palpitações.

 

 

Os acordos secretos que temos com filhos, netos, amigos. 

A emoção provocada por uma frase de um livro. A felicidade de uma cura. 

E a infelicidade aceita como parte do jogo - ninguém é tão feliz quanto aquele

que lida bem com suas precariedades.

 

O que sei eu sobre aquele que parece radiante e aquela outra que parece à

beira do suicídio? Eles podem parecer o que for e eu seguirei sem saber de

nada, sem saber de onde eles extraem prazer e dor, como administram seus

azedumes e seus êxtases, e muito menos por quanto anda a cotação de

felicidade em suas vidas. Costumamos julgar roupas, comportamento, caráter

- juízes indefectíveis que somos da vida alheia - mas é um atrevimento nos

outorgar o direito de reconhecer, apenas pelas aparências, quem sofre e quem está em paz.

 

A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. 

Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para

conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar

do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de

desfazer para manter-se sã. 

Toda felicidade é construída por emoções secretas.

 Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só com a nossa permissão.

 

Martha Medeiros

 



Visite nosso Site

Home:

www.claudyalessa.com.br

 

Envie esta página para um amigo clicando no ENVELOPE!