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O COBRADOR

Pia Steiner

 


Depois de um dia de caminhada pela mata, mestre e discípulo retornavam ao casebre, 

seguindo por uma longa estrada.

 

Ao passarem próximo a uma moita de samambaia, 

ouviram um gemido.

 

Verificaram e descobriram, caído, um homem.

Estava pálido e com uma grande mancha de sangue,

 próximo ao coração.

 

O homem tinha sido ferido e já estava

 próximo da inconsciência.

Com muita dificuldade, mestre e discípulo carregaram o homem

 para o casebre rústico, onde trataram do ferimento.

 

Uma semana depois, já restabelecido, o homem contou que havia 

sido assaltado e que ao reagir fora ferido por uma faca.

 

Disse que conhecia seu agressor, 

e que não descansaria enquanto não se vingasse.

 

Disposto a partir, o homem disse ao sábio:

 

- Senhor, muito lhe agradeço por ter salvo minha vida.

Tenho que partir e levo comigo a gratidão por sua bondade.

Vou ao encontro daquele que me atacou e vou fazer com que ele sinta a mesma dor que senti.

 

O mestre olhou fixo para o homem e disse:

 

- Vá e faça o que deseja. Entretanto, devo informá-lo de que

 você me deve três mil moedas de ouro, como pagamento pelo tratamento que lhe fiz.

 

O homem ficou assustado e disse:

 

- Senhor, é muito dinheiro. Sou um trabalhador e não tenho como lhe pagar esse valor!

 

- Se não podes pagar pelo bem que recebestes, 

com que direito queres cobrar o mal que lhe fizeram?

 

O homem ficou confuso e o mestre concluiu:

 

- Antes de cobrar alguma coisa, 

procure saber quanto você deve.

 

De Pia Steiner



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